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DESABAFO DE UM ESCAMBISTA




O ESCAMBO É NOSSO
Fiquei muito feliz ao abrir meu e-mail e o do próprio Escambo e encontrar vários recados dos escambistas. Confesso que estava meio assustado com tanta distância entre os membros do movimento, mas vi que era só o velho mau hábito de deixar as coisas “para cima da hora”. Falta praticamente um mês para o tão esperado encontro, agora devemos todos arregaçar as mangas e trabalhar por este grande propósito que nos faz não deixar de sonhar no meio de tanta negatividade que nos sufoca em nosso dia a dia e enfrentar dificuldades, que em determinados momentos chega a nos levar às lágrimas ao pensar porque é tão difícil tentar mudar, sonhar, construir, quebrar, montar, rasgar, bombardear, delirar, travestir, transbordar, multiplicar, ferir, curar, esmagar, lutar, ganhar, perder, dar e receber. Há outros vários verbos que me fariam passar horas escrevendo para, um dia, tentar juntá-los e quem sabe escrever algo que, para alguns chegaria um grau altíssimo do intelecto humano, como um artigo científico sobre todos estes verbos que, hoje para mim, poderiam ser traduzidos em uma só palavra: ESCAMBO, ou como li em um artigo publicado em uma revista chamada Bula: ESCAMBO QUE CORRE NAS VEIAS, neste texto alguém que pela primeira vez tinha ido ao Escambo tentava a árdua tarefa de explicar com palavras o que tinha vivenciado, tarefa difícil!!! Pois há anos algumas pessoas se atrevem a tentar este feito que eu mesmo não sei nem porque resolvi me aventurar a ele agora, LOUCURA!!!! Palavras não são suficientes para explicar o que realmente é o Escambo, estou me sentindo como se escrevesse para um discurso de velório, com esta frase clichê de que “palavras não podem explicar como era fulano-de-tal”, mas ao mesmo tempo não me frustro com isso, pois sei que estou escrevendo sobre um movimento que põe as pessoas em um momento de transição, só que neste caso não de vida para morte, e sim de ressurreição. Mais uma vez me sinto tolo, parece até homilia de missa aos domingos, sem querer nos comparar a Jesus Cristo que ressuscitou, ou pensando melhor, creio que podemos nos comparar sim com o próprio, pois assim como ele ressuscitamos juntos todas às vezes em que nos encontramos neste movimento de vida que nos coloca em confronto direto, não com o demônio, mas sim com a difícil tarefa de se fazer arte popular. Que nenhum pastor ou padre veja este texto nos comparando com Jesus! Mas pensando melhor, é para isso que nós artistas lutamos pela tal da livre expressão, para também fazermos comparações como essa, que para alguns pode ser absurda, ainda bem que não se mata mais ninguém queimado nas fogueiras, pois eu, a partir deste momento era um forte candidato a virar churrasco. O que vemos é que nem as comparações mais apelativas são capazes de explicar o que é ver a irradiação de um verdadeiro escambista com suas malas cheias de arte, cortando as estradas do sertão, de pé ou caminhão, ônibus ou avião, com sol ou chuva, em busca de um novo encontro com os companheiros que produzem sua arte nos mais escondidos recantos do país, com todo seu fazer artístico sempre contemporâneo, pois como diria Câmara Cascudo: “Não há nada mais contemporâneo que a cultura popular”, aquela que é feita pelo povo e para o povo, pois todas as formas artísticas passam e a cultura popular fica, pois é a vida dando arte e a arte dando vida. É desta forma que vemos transbordar de alegria as cidades por onde passam os escambistas, pois temos a certeza que o ar que respira aquela cidade será durante quatro dias a mais pura essência da arte, aquela que arrebata, que é forte, verdadeira e que é pura em seu produto não importando se falta na boca do ator uma ou duas frases do texto, mas importa, sim, que a mesma está ali aberta, escancarada, arreganhada em seu todo para se confrontar com o mundo a sua volta. Já estou cansando de tentar escrever o que é o escambo e minha cabeça continua apertando como se não tivesse escrito uma só palavra ainda, ou tivesse escrito muito e dito nada, mas continuo achando que talvez a melhor forma de se traduzir em palavras o que sinto é com a frase: ESCAMBO QUE CORRE NAS VEIAS, e deixar de lado essa estória. Tentar explicar o que basta sentir, ou a melhor de todas as opções: deixar para que venham outros como eu a se aventurar na tradução deste sentimento chamado ESCAMBO POPULAR LIVRE DE RUA.
Emanuel Coringa, entusiasta do Escambo
Graduando em Teatro na UFRN
Natal-RN.
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