quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O ESCAMBO DA SAUDADE

Ah, meus bens!!!
Bens que estão por perto...
Bens que ainda não sei quando terei ao alcance do meu olhar e sentir...
Bens que me fazem sorrir e sentir um aperto no peito...
Saudade, saudade louca de todos!!!
O Escambo, mais do que troca,
É um ato de doar
Nos doamos sem saber
Nos entregamos e se preciso for...
Vamos nos entregar sempre!
É emoção misturada a pensamentos que pulsam em sintonia!
Encontro dos que amam a arte, a cultura,
Dos que desejam os aplausos e sorrisos de crianças
Em troca de muita alegria, ousadia e perseverança
Esperança!
Sim, hoje tem espetáculo!
Todos estão convidados a participar!
Pois o palco é a rua,
Somos a própria arte a bailar!

Escambo de idéias,
Abraços, motivações, beleza...
Contatos, palavras, muitas gargalhadas!

Ah, meu bens!!!
Que tal brincarmos de pensar uns nos outros?
(Tenho certeza que estamos fazendo isso!)
Comunicar o que passa em nossas cidades?
Brincar de cortejo brincante nas ruas do fazer....
Há tanto o que fazer...
Há tanto o que lembrar...
Há tanto o que acontecer de novo, de novo, de novo...

Desejo um ótimo Escambo Novo a todos!
Um próspero Escambo próximo!
Este está guardado na memória
E fazendo parte da história
Dos que viveram dias de Escambo em Redonda...

Ah, meus bens....
Amados dias!
Amados Teatros!

Samara Amaral – Fortaleza-CE

SE ESCAMBO É TROCA




Participar pela primeira vez do Escambo foi uma experiência riquíssima a ponto de eu me perguntar: onde é que eu estava esse tempo todo que não participei antes? Além de ser algo muito sincero feito por nós de movimentos populares na busca de diminuir os problemas do mundo utilizando-se da arte, o Escambo também nos proporcionou momentos de pura ludicidade e descontração que ajudam sempre a integrar mais ainda as pessoas que estão nessa luta. Integração não pela integração, mas como fortalecimento de nossos movimentos que têm muitas coisas em comum além de coisas diversas, que trocamos, compartilhamos, escambamos.
Não poderia ter outra palavra melhor pra definir o Escambo do que a própria palavra “escambo”. Foi realmente um momento de grandes trocas entre as pessoas aqui do Nordeste, principalmente. O melhor de tudo foi que não foram trocas comerciais, mas trocas de arte, principalmente de teatro de rua, que é uma das coisas que nos move. Foi muito bom ver teatro de rua nas praças, nas ruas, nos becos, de manhã, de tarde e de noite durante quatro dias.
Algo muito interessantes também que aconteceu nesse Escambo foram as oficinas. No meu caso, achei riquíssima a oficina de circo, onde aprendi coisas novas e vi de outras formas coisas que eu já sabia, que já tinha visto e praticado. Foi mais uma oportunidade que tive de ver o quanto que a arte pode nos formar para a vida.
Talvez a integração entre as pessoas não tenha sido de forma plena devido ao local ser muito grande, o que facilitava muito mais a dispersão entre as pessoas, mas nem por isso pode-se dizer que nos integramos pouco. Foi importante ver aquela quantidade de pessoas trabalhando com arte. Foi mais um momento de sentirmos que não estamos sós e nem somos poucos nem poucas, como fica às vezes essa impressão quando nos deparamos com a quantidade de coisas que ainda precisam ser melhoradas nesse mundo.
Algo que eu creio que também ficou em destaque nesse Escambo foi a boa receptividade das pessoas da cidade que nos recebeu em geral. Carnaúba dos Dantas foi um lugar que pra quem participou desse Escambo vai sempre ficar na memória. Pessoas simples, que vivem no interior do Nordeste do país, mas que demonstraram ser grandes pessoas, com grandes corações.
Em resumo, esse Escambo foi algo de muito positivo para o nosso crescimento pessoal e no nosso caso do Escuta enquanto entidade, foi mais um momento de fortalecimento dentro dessa rede de grupos e entidades que têm muitas idéias afins e que sabem trocar essas idéias de uma forma que sempre saímos fortalecidos(as) e com vontade de sempre continuar com esse trabalho. Espero sempre ter a oportunidade de participar do Escambo Livre de Rua e que nós continuemos trocando dentro dessa rede durantes o resto do ano, independentemente do evento.


Leandson Sampaio Animador Cultural do Escuta Fortaleza – CE, graduando de Filosofia da UFC.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pequena Carta Aberta ao Povo de Umarizal

Em 2008 nossa cidade viveu um momento cultural nunca antes vivido, falo não somente do grande encontro do Movimento Popular Escambo Livre de Rua ocorrido em abril, mas falo também das atividades culturais desenvolvidas pela Cia. Arte & Riso, Capoeira Nacional e ainda do ressurgimento do grupo de teatro Umaricatu.
Penso que fizemos muito. Lembro que todas as nossas empreitadas foram desenvolvidas com muita vontade, luta, briga, coragem e com pouco ou nenhum recurso. Dessa maneira coloco aqui a necessidade que temos de discutir o que os artistas e agentes culturais têm feito pela cidade e o que a cidade tem feito pelos artistas.
De janeiro a abril passamos por momentos péssimos, basta lembrar as enchentes, o açudes arrombados, as pontes caídas etc. e foi nesse momento que o nosso trabalho artístico-cultural ganhou um grande sentido e uma grande motivação, nós acreditamos na Arte como meio de transformação e de inclusão social, como o aliado mais importante da Educação e foi com essa concepção que trabalhamos, que fizemos nossas atividades, espalhamos nossa arte, nossa alegria e nossa mensagem de respeito e de cidadania por todo o município. Fomos aos sítios e assentamento, fomos às periferias e ao centro da cidade, vimos no olhar do povo o desejo de saber o que estava acontecendo ali: o que é o teatro de rua? O que é malabares? O que é poesia? O que é capoeira? O que é calunga? O que é coco de roda? O que é dança tradicional, folclórica e contemporânea? O que é arte circense? A resposta é simples: tudo isso é o direito do povo! E muito se engana que pensa que o povo não quer saber disso. O povo se interessa pela cultura popular porque ele faz parte dessa cultura.
O poder público de um modo geral se orgulha muito das grandes festas que promove para o povo, como aquelas que aconteceram no começo de julho, logo após a cidade ter saído de um lastimável estado de calamidade pública. Essas festas, sem dúvidas, trouxeram alegria e diversão para o povo, mas o que ela deixou na cidade? Fora um pequeno movimento na economia informal - coisa muito pouca - , deixou um saldo de embriaguez, de uso de drogas, dívidas no comércio em geral, brigas, tiros para o ar, uma montanha de lixo dentro da quadra de esportes e nas ruas, o desejo em nossa juventude de entrar para esse mundo de farras e bebidas, o desinteresse pela vida e a expectativa na próxima "festa de graça", isso tudo sem falar nos contratos de milhares de reais pagos aos grandes artistas do forró que nos deixaram a "belíssima" mensagem de culto às aparências, uso do álcool, prostituição e futilidades de todas as naturezas possíveis e imagináveis.
Não posso deixar de questionar aqui e aonde quer que eu vá o uso dos recursos públicos. Lembro que em 2007 a Cia. Arte e Riso e o Movimento Escambo realizou o projeto Arte pra Rua, na ocasião dispúnhamos de menos de mil reais, no entanto, fizemos um evento com mais de 50 artistas do Rio Grande do Norte e do Ceará, foram ministradas durante dois dias vivências de Teatro, Palhaço, Malabares, Perna de Pau, Dança e Poesia, sem contar o maravilhoso Cortejo Cultural no bairro São José e o mais maravilhoso ainda Sarau Poético no Bosque.
Dessa forma peço ao cidadão umarizalense que pense nessas questões e que reflita sobre o que quer para sua cidade e para a sua vida, o que quer para o seu filho, para a sua comunidade. Os artistas de Umarizal são parte do povo, somos populares, somos de rua.
Vale a pena lembrar que em todos esses anos de história de emancipação política Umarizal nunca teve uma administração que tivesse políticas públicas elaboradas e voltadas para o desenvolvimento artístico e cultural da cidade, assim os artistas nunca são contemplados com projetos e a população fica sem saber o que é ter acesso aos bens culturais. Espero sinceramente que o prefeito que será eleito nas próximas eleições, bem como os vereadores que comporão a nossa câmara, percebam que os tempos são outros, que os artistas populares estão organizados, sabem o que já fizeram, sabem o que querem e como querem. Queremos políticas públicas que dêem condições de atuação para os agentes culturais, queremos nosso espaço garantido junto à administração, queremos também decidir o que nos diz respeito e queremos que o poder público entenda que na luta em defesa da cultura, da educação e da arte popular ou se está a favor ou se está contra.

Joelson de Souto, educador, poeta, artista de rua e cidadão questionador que se trava diariamente na luta da arte e da cultura popular.

DESABAFO DE UM ESCAMBISTA











O ESCAMBO É NOSSO




Fiquei muito feliz ao abrir meu e-mail e o do próprio Escambo e encontrar vários recados dos escambistas. Confesso que estava meio assustado com tanta distância entre os membros do movimento, mas vi que era só o velho mau hábito de deixar as coisas “para cima da hora”. Falta praticamente um mês para o tão esperado encontro, agora devemos todos arregaçar as mangas e trabalhar por este grande propósito que nos faz não deixar de sonhar no meio de tanta negatividade que nos sufoca em nosso dia a dia e enfrentar dificuldades, que em determinados momentos chega a nos levar às lágrimas ao pensar porque é tão difícil tentar mudar, sonhar, construir, quebrar, montar, rasgar, bombardear, delirar, travestir, transbordar, multiplicar, ferir, curar, esmagar, lutar, ganhar, perder, dar e receber. Há outros vários verbos que me fariam passar horas escrevendo para, um dia, tentar juntá-los e quem sabe escrever algo que, para alguns chegaria um grau altíssimo do intelecto humano, como um artigo científico sobre todos estes verbos que, hoje para mim, poderiam ser traduzidos em uma só palavra: ESCAMBO, ou como li em um artigo publicado em uma revista chamada Bula: ESCAMBO QUE CORRE NAS VEIAS, neste texto alguém que pela primeira vez tinha ido ao Escambo tentava a árdua tarefa de explicar com palavras o que tinha vivenciado, tarefa difícil!!! Pois há anos algumas pessoas se atrevem a tentar este feito que eu mesmo não sei nem porque resolvi me aventurar a ele agora, LOUCURA!!!! Palavras não são suficientes para explicar o que realmente é o Escambo, estou me sentindo como se escrevesse para um discurso de velório, com esta frase clichê de que “palavras não podem explicar como era fulano-de-tal”, mas ao mesmo tempo não me frustro com isso, pois sei que estou escrevendo sobre um movimento que põe as pessoas em um momento de transição, só que neste caso não de vida para morte, e sim de ressurreição. Mais uma vez me sinto tolo, parece até homilia de missa aos domingos, sem querer nos comparar a Jesus Cristo que ressuscitou, ou pensando melhor, creio que podemos nos comparar sim com o próprio, pois assim como ele ressuscitamos juntos todas às vezes em que nos encontramos neste movimento de vida que nos coloca em confronto direto, não com o demônio, mas sim com a difícil tarefa de se fazer arte popular. Que nenhum pastor ou padre veja este texto nos comparando com Jesus! Mas pensando melhor, é para isso que nós artistas lutamos pela tal da livre expressão, para também fazermos comparações como essa, que para alguns pode ser absurda, ainda bem que não se mata mais ninguém queimado nas fogueiras, pois eu, a partir deste momento era um forte candidato a virar churrasco. O que vemos é que nem as comparações mais apelativas são capazes de explicar o que é ver a irradiação de um verdadeiro escambista com suas malas cheias de arte, cortando as estradas do sertão, de pé ou caminhão, ônibus ou avião, com sol ou chuva, em busca de um novo encontro com os companheiros que produzem sua arte nos mais escondidos recantos do país, com todo seu fazer artístico sempre contemporâneo, pois como diria Câmara Cascudo: “Não há nada mais contemporâneo que a cultura popular”, aquela que é feita pelo povo e para o povo, pois todas as formas artísticas passam e a cultura popular fica, pois é a vida dando arte e a arte dando vida. É desta forma que vemos transbordar de alegria as cidades por onde passam os escambistas, pois temos a certeza que o ar que respira aquela cidade será durante quatro dias a mais pura essência da arte, aquela que arrebata, que é forte, verdadeira e que é pura em seu produto não importando se falta na boca do ator uma ou duas frases do texto, mas importa, sim, que a mesma está ali aberta, escancarada, arreganhada em seu todo para se confrontar com o mundo a sua volta. Já estou cansando de tentar escrever o que é o escambo e minha cabeça continua apertando como se não tivesse escrito uma só palavra ainda, ou tivesse escrito muito e dito nada, mas continuo achando que talvez a melhor forma de se traduzir em palavras o que sinto é com a frase: ESCAMBO QUE CORRE NAS VEIAS, e deixar de lado essa estória. Tentar explicar o que basta sentir, ou a melhor de todas as opções: deixar para que venham outros como eu a se aventurar na tradução deste sentimento chamado ESCAMBO POPULAR LIVRE DE RUA.

Emanuel Coringa, entusiasta do Escambo
Graduando em Teatro na UFRN
Natal-RN.

XXIII ESCAMBO - Uma troca de arte, cultura e cidadania




O Escambo Popular de Arte de Rua persiste, resiste, pulsa, caminha, adolescer e depois nos redemoinhos da vida alguns que se afastaram um pouco de seus momentos de celebração e encontro, muito embora continuem a amá-lo, admirá-lo, esse foi um momento por demais significativo.Chegamos á Umarizal, pequena cidade do oeste potiguar, com seus 12.000 habitantes, talhada em ruas largas, algumas ainda marcadas pelas chuvas que as alagaram há poucos dias e o primeiro sentimento foi de mãe amorosa, parteira que pensa o cuidado de seus afilhados. Ali estão osmeninos poetas palhaços acrobatas de Janduís-RN. Cidadãos que ousaram tomar a história nas mãos. Ouço em um momento o ator Bira trazendo Bertold Brecht para a roda:”Você tem que assumir o comando... “E eles assumiram a cultura, a educação de Janduís, essa cidade tão pequena com problemas de um país, como tão bem poetizou Ray Lima. Mas não só tomaram a história nas mãos como legaram ao Escambo, seus filhos e filhas, umanova geração de atores e atrizes. Que lindo compartilhar de gerações!!! Naquela noite de sexta feira, a grata surpresa foi à ginga de Jadiel Lima, tão bela, tão musical.O meu olhar saudoso e minha alma cansada vão se aninhando e se animando em cada abraço, cada sorriso, no perceber as marcas do tempo e a transformação dos corpos. Mas os sorrisos, ah! esses sorrisos!!!A poesia invade minha alma. Estou em casa. Feliz e comovida. Não tenho a princípio desejo de falar, mas de viver em plenitude o reencontro com a família Escambo.O dia seguinte nasce com um sol preguiçoso. No café da manhã o encontro com os mestres: Amir Haddad, Gilberto calungueiro, Ray Lima, Junio Santos, Zé Cordeiro. Ouvir as narrativas do mestre Gilberto de Icapuí-CE, me faz pensar nas estratégias de resistência desses artistas do mundo. Na felicidade que é para eles brincar e viver a sua arte, não dela, mas nela, com ela. O ser brincante, Pedro Malazarte que fala pela voz do mestre Gilberto nos faz rir e refletir: nunca deixei de brincar numa comunidade porque os meninos não tinham dinheiro, porque a alegria deles era a minha alegria?.... Eu fiz uma promessa a São Francisco para ir e voltar a Canindé sem gastar umtostão.....?.Do mestre Amir, o compromisso com um teatro livre, inclusivo, brincante e problematizador. Em meio ás tapiocas, esse alimento genuinamente indígena, nordestino, vamos brincando e rindo, exercitando a arte de viver a vida prazerosamente.Na escola encontros de regiões e gerações. Rostos conhecidos desejosos de serem re-conhecidos. Rostos de Fortaleza, de Icapuí, Itapajé, Mossoró, São Miguel do Gostoso, Campo Grande, Umarizal, Felipe Guerra, Sítio Góis no Apodi, Arneiroz, Recife, Ingazeira dos Afogados, São José dos Cacetes, Campinas, Natal, Olinda, Carnaúba dos Dantas, Janduís. Festa circense, musical, poética, e teatral.Atenção!!! Ruflam os tambores, ecoam os aboios, e saem os comboios.Ocupam as ruas, as quadras das escolas, as salas de aula. A cidade acorda sonolenta e a moçada manda ver nas vivências. A percussão vai começando o despertar, a afinação sob a batuta do Jair 9Grupo Soltando a Voz de Fortaleza-CE) em plena rua.Nas vivências de capoeira, o corpo é alongado e o resgate da ancestralidade é o caminho buscado.Chego á vivência de cordel.Tem gente de Mossoró, De Fortaleza, Natal, Gente do interior e gente da capital. O poeta repentista retrocede no tempo. O tempo no interior. As cantorias, as festas populares, queimas de fogos. Cantorias de pé de parede, forró pé de serra. Os cordéis e os cordões. Partindo da tradição oral os cordéis contam romances, tragédias, comédias, desde as épocas medievais até os dias atuais assim como a chegada da comunicação massiva, impessoal.O cordel morreu!!!!Será????Salve Amendoim, repentista facilitador dessa vivência. O cordel está assim?Vamos falar de cordel, repente, poesia popular.Vamos pensar a importância de comunicarAção comunicativa que resiste, persiste,Mesmo frente á in-comunicação massiva.Na roda do cordel poetas presentes e ausências que se fazem presença.Antônio Francisco de Mossoró é uma referência para muitos que ali estão.As falas vão revelando personagens, atores, autores, Meninos cantores.Nas histórias de cordéis e cordelistas,Repentes e repentistas, Lembra-se o tempo da ditadura militar, Fala-se do que foi ocultado, Do que foi relatado, Do que foi denunciado, Nas rimas e repentes do poder dos generais, Mas também a luta, a resistência. Identidades culturaisO que ficou nos ancestrais????As vivências vão desvelando caminhos possíveisDicas do caminhar dos grupos em continuo movimento.Circulando nos espaços as marcas de uma história, que precisa ser contada, refletida, re-significada.Na vivência da cenopoesia, Zé Cordeiro (Grupo Arribaçã de Rosário-Argentina), Ray Lima e Johnson Soares (Pintou Melodia na Poesia) e os atores e atrizes vão se revelando e juntos vamos nos encontrando, nos entranhando na poesia.Poetas e artesãs, Mães, brincantes, Artistas, inventadores, reinventam a invenção Do litoral ao sertão.De grupos recém-nascidosVamos juntando linguagens, maracatus e atores para cantar à vida.No Escambo vamos conjugando o meu , o teu , o nosso.Os andares de cada um, os lugares diversos, as poesias e as paixõesVamos construindo narrativas, relações, amizades.Aqui o papel dos mestres, dos facilitadores, é na visão dos seus atores e atrizes, juntar pessoas e depois sair. Deixar a vida fluir.A cenopoesia traz não só os poetas, atores, escambistas, mas seus territórios vivos, suas histórias de luta. Assim cenopoetisa Johnson:Eu sou do Pirambú, o mundo inteiro fica no Pirambú. E vai desvelando a música resistência, de autores, compositores.Compartilhar de culturas.Estão falando em lotear a luaSem terraSem tetoCaridade ou amorA terra, o corpo, a mão, o pãoPalavras jorram da boca de neófitos:Muito prazer! Vim conhecer e me apresentar. Escrevo, canto e interpretoCanto o outro em mim!!!E assim vamos com humildade buscando sentir o outro, cantar o outro, dialogarOutras falas. O poeta carioca vai falando da mulher...Eu sou Zé Cordeiro vim do Rio de Janeiro.... Mamãe eu quero..mulher quenão é escrava do homem ou do capital.No movimento escambo a arte está no ligar-se á realidade, buscar a transformação na ação poética, musical, teatral, arte engajada.De Santa Cruz, o desejo, o sonho, a arte de crescer. Ofício de ser valente, de ser feliz.Fala Janduís, essa cidade pequena com valores de um país, panela em ebulição!!!Mas nem só de cenopoesia vive o Escambo. No pátio da escola, o corpo fala: Estátua!! Os atores vão compondo e recompondo suas estruturas corporais. Estátua!! quero tensão, todos os músculos em ação. Na vivência corporal, o segredo é articular tensão e tesão. O corpo vivo em movimento. Precisão. Concentração.Como está a nossa base?Qual o momento certo de acelerar ou lentificar o movimento?Que reflexões podemos construir no nosso movimento corporal e em que podemos transcendê-la para nossa organização?Da presença cênica que exige precisão;Da base essencial para pensar o ritmo, os planos, os que estarão no alto, os que estarão em baixo,os que estarão no centro, sempre a base como referência.È preciso acelerar?Correr?Como caminhar com ritmo, decisão, sem esbarrar nos corpos?Sem tolher os passos dos nossos irmãos?Como expressar não só com falas, mas com olhos, bocas e gestos, Nossos desejos, Nossos projetos.O tempo agora não é de relaxar!E na vivência de dança contemporânea, o espaço também está em foco.Noato;Naconceituação; Concentração.É a palma que dá o tom, o ritmo e o riso.O nosso movimento é pra valer!Não pode parar.É sorrir, se concentrar,Cair e levantar.A vivência de dança nos ensina a nos mexer na aqui na esfera, sem perder o eixo, os planos..Movimento pendular.Num espaço plural, coletivo, é preciso cuidar das transferências, perceber o caminhar de cada um.Está na hora de trabalhar a intuição, fechar os olhos e tentar se orientar, se desprender do que está dado. Buscar novas conexões.Não deixar que o medo e a insegurança imobilizem.Buscar o caminho objetivo sem arrodeios.Caminhar com intenção e decisão, As mãos na direção do infinito.Os pés que se enraízam na mãe terra.Espírito e matéria.Manter a mente aberta pra criar e deixar fluir a arte de modelar. Criar.Para os escambistas, Viver de arte,Na arte, Artesã, Artesão, Arte e tesão.Precisamos pensar conjuntos,Articular nossas ações,Talhar modelos,Expressões.Nosso corpo,Instrumento, Sujeito, Base.Base. Aliás, essa é uma palavra chave em todas as vivências.Essência de um movimento solidário.Temos que nos preocupar em manter a tradiçãoE, ao mesmo tempo, inovar.Renovar constantemente.Provocar mudanças.O artista não pode ter medo de se expor.Na rua, a arte nua,A rua, nosso campo de atuação.E nessa atuação, celebrando a vida ou chorando a morte, dar assas á imaginação.Deixar que o personagem dialogue com o ator.È preciso contextualizar o personagem, construir resiliência.Na cenopoesia e no Escambo, é preciso construir a teoria, que nasce da ação cotidiana.Das possibilidades de fazer interagir diferentes linguagens.Aqui não há diretores e sim arranjadores.Cênicos, epistêmicos, cujo papel maior é articular linguagens sem hierarquias.Na interação dialógica, há que se pensar a estética, a poética, a ética, Pensar o macro para capilarizar.O geral e o singular.Na cenopoesia, no teatro, na dança, na música, o Escambo é construção.Definição em relação ao seu público.O eu político que se expressa na ação-reflexão-ação.A práxis criativa do refletir fazendoE fazer refletindo.E a cena se constrói, esse fazer coletivo.Na feira do escambo cenopoético, partilhamos nossa história.Nós a construímos em aboios, nos espaços que nunca serão vazios, enquanto persistir nossaesperança e rebeldia.Nas veias e veios porque nossa partilha jamais será solitária.Porque ela é solidária. Engajada, cuidadora, ecológica, transgressora, transformadora, emancipadora, inter-geracional, multireferencial.De peito aberto, buscamos a liberdade de criar o diverso, o regional, o singular, o universal.Não resistir á arte, conjugar o verbo estar.Estar,EstouEstamos?Sim, porque o teatro é do ator, disse o mestre Amir Haddad.Esse ator/atriz, cidadão e cidadã.Capaz de dizer coisas, de perguntar sobre o que já aprendeu.Ator e personagem, dualidade essencial, no ato teatral.Rito e celebração.O Escambo como o teatro é esse ato coletivo, infinitamente potente, Criativo, Vivo,Vivamos. Vera Dantas
Médica/Atriz – Coordenadora do Projeto Cirandas da Vida da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza – CE, articuladora da ANEPS e uma das fundadoras do Movimento Escambo.

XXIII ESCAMBO - O ESCAMBO DAS CHUVAS...


Após o susto provocado pelas enchentes na cidade de Umarizal, local onde ocorreu o XXIII ESCAMBO, as coisas se normalizaram e tudo correu bem. Há 17 anos nascia o I Escambo(teatral) de Rua, hoje denominado Escambo Popular Livre de Rua, na cidade de Janduís-RN, em maio de 1991. Daquele encontro de solidariedade que tinha, por um lado, o povo sofrendo os efeitos da seca e, por outro, a inquietação dos artistas, especialmente dos grupos de teatro do estado, acossados por lutarem em defesa da cultura e denunciar a ausência total de políticas públicas neste campo. É interessante observar que os mesmos políticos perseguidores da época, atualmente fazem oposição ao Lula com discursos absolutamente em favor da democracia, da liberdade de expressão e dos direitos de cidadania, apresentando-se como senhores da ética e guardiões das boas práticas políticas.Em sua trajetória de lutas, O MOVIMENTO ESCAMBO produziu documentos, ações concretas, construiu metodologias e processos pedagógicos de intervenção nas realidades culturais e sociais, decididamente em cidades de pequeno e médio porte, mais fortemente no Rio Grande do Norte e Ceará. Isto não diminui a importância de sua influência nas práticas de muitos artistas e grupos de outros estados e cidades de grande porte como Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Brasília, campinas-SP, Natal-RN, Fortaleza, Açailândia e Imperatriz-MA, etc.
Também a presença interativa e recorrente de mestres populares da cultura, como Gilberto Calungueiro, Antonio da Ladeira, Antônio Ferreira, Chico Daniel; de pesquisadores da educação e da cultura popular como Oswaldo Barroso, Enrique Dídimo, Josy e Vera Dantas; de nomes nacionais como Amir Hadad, do Tá na > Rua-RJ; Júnio Santos-Cervantes e do poeta brasileiro-argentino Zé Cordeiro, dão ao Escambo a chancela que merece para se afirmar como um dos movimentos sócio-culturais brasileiros mais belos, engajados e fascinantes da atualidade.Poucos movimentos populares, mormente no terreno da cultura, duraram tanto.São quase duas décadas. Existe nele um grau e uma capacidade de renovação incrível. Seja renovação dos conhecimentos, sejam renovação e aperfeiçoamento das práticas artísticas. A cada congresso realizado sentimos que os grupos renovam suas linguagens, seus atores, suas práticas. O fato de ser um encontro de celebração e intercâmbio intenso, os escambistas aprendem, se deixam aprender e apreendem o outro, levando para seus lugares de origem a cachola repleta de saberes e práticas renovadas e enriquecidas.Esta riqueza de aprendizagens em alta proporção, qualidade e velocidade faz da pedagogia do Escambo, um mundo de possibilidades, um centro móvel e dinâmico de construção coletiva de saberes diversos e carregados de significados.
Outro aspecto a se observar é a intergeracionalidade dos congressos. Podemos encontrar um mestre popular como Gilberto Calungueiro sentado num banco da praça entre jovens e adolescentes conversando sobre teatro de bonecos, sobre a arte e a vida. Ou um salão repleto deles escutando e vivenciando a sabedoria de Amir Hadad; ou em salas cedidas pelas escolas públicas, pátios, praças, corredores, etc. o encontro de várias gerações onde acontece a "feira dos conhecimentos e práticas artísticas, as vivências entre os grupos. Isso tudo durante o dia. À noite, os espetáculos desenham uma nova geografia para a cidade, enfeitam as ruas de rodas coloridas e alegres, tirando o povo de suas casas para se assenhorear das histórias da vida, das artes e das coisas do mundo. É como que um abraço acompanhado de beijo coletivo, um ato de paz e amorização por meio da sinergia e do poder que a ação cultural possui de unir as pessoas. O final da programação noturna fica a cargo dos palhaços, da música e da poesia. Nesta XXIII edição do Escambo, tivemos o privilégio de receber o poeta Zé Cordeiro, carioca que reside há 15 anos em Rosário na Argentina.Chegou ao Escambo sob muita expectativa por parte dele e dos escambistas que já conhecia sua obra, porém ele era desconhecido da maioria. Por sermos parceiros de vários bons momentos da poesia no Rio de Janeiro dos anos 80/90, nos encontramos no Escambo para facilitar uma vivência sobre Cenopoesia, linguagem que criamos ainda quando morávamos no Rio, muito praticada pelos grupos que fazem o movimento. Sob nossa responsabilidade também estava à realização de um espetáculo cenopoético em companhia dos músicos Filippo Rodrigo (Natal-RN), Jadiel Lima (Maranguape-CE), Tom do Ceará (Icapuí-CE) e Johnson Soares (Fortaleza-CE). Alíás, a cenopoesia é discutida, praticada e incorporada como uma linguagem fundamental hoje do Escambo. Há muitos poetas jovens que aproveitam a cenopoesia para expressar e divulgar seus trabalhos.
Bom, concluo esta reflexão apostando na esperança de que outros mundos, menos cruéis e mais bonitos, são possíveis sim. O Movimento Escambo está para alimentar essa história com a simplicidade da marchinha feita no primeiro congresso:* "O escambo é troca/Todo mundo quer trocar/Troca eu, troca, você/Troca aqui, troca acolá"*Só depende de nós e da disposição de buscar o outro com o objetivo de nos tornarmos sempre melhores e humanamente mais potentes do que somos. É bom lembrar que, me misturando aqui com Paulo Freire, diria que "*ninguém ama de braços cruzados; ninguém aprende, ensina ou se é sozinho".
Por isso já em um dos primeiros escambioses, escrevíamos:*"É preciso aprender a semear com a máquina do tempo.É vital, mais que vital inventar: vida e verdades, sonhos e realidades;razão com alegria bailando**sobre o espelho das águas perenes.*Ainda esperamos, coitados, as chuvas do céu, quando deveríamos fazer chover no chão de caos e ilusão; umedecer as pedras, fazendo-as verter poesia; transformar em vida a energia do sol em desperdício que hoje nos flagela e definha.A fome, indústria cega e daninha, há de ser O instrumento maior de transformação, tinta e pincel. A reflexão, o painel sobre a eterna falta.Sobre a miséria a ação, o desenlace sem queda.A inteligência carcomida pela força da moeda será o túmulo dos canibais de consciência.
É imprescindível e inevitável que sejamos filósofos.Filósofos de nós mesmos.Criadores e semeadores da nossa própria filosofia.Recriadores confessos do nosso rosto.*Decoradores do espaço reservado à nossa causa.Defensores incessantes do grito de liberdade,*Do motivo do nosso choro, da grife do nosso riso.Precisamos estar sempre dispostos a corrigir nossos costumes;a mergulhar no abissal dos nossos valores culturaispara que venhamos a festejar nossa vanguarda*e celebrar a estética do brilho estelar da nossa alma.A estiagem haverá de ser nosso eterno objeto de estudoe a resistência nosso princípio, nossa viagem.


Ray Lima


Poeta, ator, um dos fundadores do Escambo


Homem do mundo

O ESCAMBO EM CORDEL





Outro dia assisti
Um programa interessante
Fui conhecer o escambo
Que coisa mais importante
Peguei caneta e papel
Pra descrever em cordel
Esse encontro ao marcante

Observei direitinho
Com olhar de jornalista
O povo fazendo arte
Pois todo mundo é artista
A música tem melodia
A vida vira poesia
Na mente do cordelista

O ESCAMBO é um costume
De muitos tem atrás
Não existia o dinheiro
Como hoje a gente faz
Pra comprar mercadoria
Vai lá mercearia
E de tudo a gente trás

Trocavam coisas por outras
Conforme as necessidades
Não se falava em lucros
Mas se fazia amizade
Por isso agora lê conto
Foi no lugar desse encontro
Que começaram as cidades
Artista tem cada uma
Que surpreende a gente
O ESCAMBO agora é
Algo muito diferente
É troca – troca de arte
Vem gente de toda parte
Pra beber nessa vertente

O movimento surgiu
No Rio Grande do Norte
Na cidade de Janduís
De um povo valente e forte
Que em busca de saída
Trocaram arte por vida
Onde imperava a morte

Já fazem dezoito anos
Que o primeiro aconteceu
Para o vigésimo terceiro
Convidou-me um amigo meu
Não fui lá para trocar
Fui só para observar
Quem veio trocado fui eu

Vi tanta coisa bonita
Unida num só lugar
Arte circense, teatro
Gente animada a dançar
Tocadores, ritmistas
Poetas e cordelistas
Seus versos a declamar
Eu agora vou falar
Como foi a nossa chegada
Havia um grupo esperando
Ainda de madrugada
Para nos recepcionar
E também pra nos mostrar
O caminho da pousada

Na Escola 11 de agosto
Tudo estava preparado
Cada grupo numa sala
Com o seu nome gravado
Foi só subir na parede
Botar corda, armar rede
E esperar o sol deitado

Em frente daquela escola
Ergue-se um monumento
Um bonito gavião
Com as asas para o vento
Uma mala e uma viola
Para ficar na história
A memória desse evento

A Companhia Arte e Riso
Fez tudo com muito gosto
Com Joelson e Jardel
Serginho sempre disposto
Pra servir aos convidados
Corriam pra todo lado
Do amanhecer ao sol posto
Vamos falar sobre os grupos
Que estiveram por lá
Do Rio Grande do Norte
Pernambuco e Ceará
Parecendo uma família
São Paulo, Rio e Brasília
Do Maranhão e Pará

T’Arte do Bom Jardim
Soltando a Voz do Pici
Flor do Sol e Sol Nascente
De Redonda Icapuí
E o Carrapicho de Canindé
Foram aplaudidos de pé
Ao se apresentarem ali

Escuta de Fortaleza
Fala Sério e o Semearte
Grupo Nós de Teatro
Também fez a sua parte
No Largo de São José
Os pífanos de Itapajé
Foi o som do Pajearte

Grupo vivência Utopia
Com um pensar mais profundo
Banda Base e Cor do Reggae
Não perdi um só segundo
O teatro Garajal
Caretas, Pernas de Pau
E os Poetas do Mundo
Eu vi o grupo Brincarte
E Tropa Trupe de Natal
Ensinando a criançada
A andar de perna de pau
E só não rio quem não quis
Com o Balai de Janduís
E o Pimbolim de Umarizal

O Projeto Abelhar
Com o seu jeito charmoso
Veio de Felipe Guerra
Vestido muito pomposo
Mas também quero lembrar
O belo grupo Tear
De São Miguel do Gostoso

Não se pode esquecer
Das rodas de capoeira
Que se fizeram presentes
Na programação inteira
Trazendo pra gente ver
Angola e o Maculelê
Do grupo Ginga Faceira

“O CERVANTES do Brasil
Cuidava da produção
Organizava o Escambo
Com cuidado e atenção
Enquanto o Sertão Vivo
Mexia sempre ativo
Com as argilas na mão”
“De Recife o MTPP
Numa grande caravana
Ator, poeta, bailarina
Muita gente bacana
Do Rio, o Amir Haddad
Veio só pra ensinar
O teatro que ele ama”

O teatro de bonecos
Alegra o povão inteiro
A frente o grande mestre
Do folclore brasileiro
Veio de Icapuí
Pra se apresentar ali
Sr. Gilberto Calungueiro

Havia muitos pequenos
Moradores do lugar
Olhando admirados
Querendo participar
Isso renova a esperança
Que enquanto houver criança
A arte não morrerá

Pra tudo tinha vivência
Pra cortejo e percussão
Oficina de brinquedo
Trabalhos feitos a mão
Malabares, berimbau
Arame, argila e pau
E a arte do artesão
A oficina de cordel
Foi uma grande riqueza
Com gente de Umarizal
De Recife e Fortaleza
E pra arrochar o nó
Amendoim de Mossoró
Com sua grande firmeza

Eu vi também no escambo
Coisas sem muito capricho
Vi lixo virando arte
Comida virando lixo
E fiquei me perguntando
Como pode o ser humano
Se comportar feito bicho

As coisas desagradáveis
Não vale a pena falar
Toquei apenas em relance
Para você meditar
Mas não fique descontente
A onde vai muita gente
A bagunça levará

Em quatro dias de festa
Parecendo um carnaval
Os tambores do escambo
Acordava o pessoal
E o cortejo todo dia
Subia alto e descia
Nas ruas de Umarizal
Para a cidade foi festa
Para o povo alegria
Para o comércio foi lucro
Para o poeta poesia
Uma só coisa lamento
Para alguns esse momento
Apenas foi de orgia

Pena que foi pouco tempo
Pra se viver a cidade
Falar com os moradores
Criar laços de amizade
Apesar de muito esforço
Andanças e alvoroço
Não conheci a metade

Deu apenas pra ver
É uma cidade pequena
Com ruas arborizadas
Gente tranqüila e serena
Que gosta de conversar
E na hora de ajudar
Todo mundo entra em cena

Saudade fico sentindo
Do povo deste lugar
Sua hospitalidade
Para sempre vou lembrar
E aos artistas conclamo
Quisera que o próximo escambo
Fosse no meu Ceará
A vinte um de abril
Feriado nacional
Terminou o grande evento
Tudo voltou ao normal
Todo mundo foi saindo
Dentro do peito sentindo
Saudade de Umarizal

Se é do pólen da flor
Que a abelha faz o mel
Das cores da natureza
O pintor faz o painel
Como eu sou cordelista
Desse encontro de artistas
Escrevi o meu cordel

Autor
Antonio Edílson da Silva Oliveira – Edson –
Nasceu em Dom Maurício – Quixadá – CE
Toda a sua vida foi dedicada aos Movimentos Populares Eclesiais de Base da Região do Grande Bom Jardim em Fortaleza-CE. Foi fundador do GRUVAT – Grupo de Voluntários Amadores de Teatro que foi responsável pela apresentação da Paixão de Cristo na Granja Portugal/Lisboa por 20 anos.
É membro atuantes da CEB Granja Lisboa de Fortaleza-CE. Foi aluno do Curso de Cordel da Casa do Cantador de Fortaleza-CE e um grande incentivador do Grupo Nois de Teatro.
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