terça-feira, 12 de agosto de 2008

MOVIMENTO POPULAR ESCAMBO LIVRE DE RUA


No final dos ano 80 surge em Janduís - "Uma cidade tão pequena com problema de uma país" - um movimento popular de arte e cidadania, iniciada com a chegada do mago e agitador cultural Ray Lima. Junto com o nego Ray, como é chamado carinhosamente em Janduís, desce Bertold Brecht, Federico Garcia Lorca, Zé Cordeiro, Carlos Drumond de Andrade e tantos outros que passaram a ser ditos e cantados em praças, ruas e nos teatros naturais de pedra que cercam a cidade. Essa zuada toda se espalhou pelo nordeste e pelo Brasil afora, chamando atenção de artistas, intelectuais, grupos populares que passaram a ir a Janduís pra ver de perto essa revolução cultural que rompia os cercos e colocava a desconhecida Janduís como um centro irradiador de arte, cultura e cidadania da região e do Estado do Rio Grande do Norte.

Este fato somados a vários outros impulsionaram o surgimento do MOVIMENTO ESCAMBO DE TEATRO DE RUA que anos mais tarde com a chegada da dança, música, artes plásticas, capoeira, cinema e os folguedos populares passou a ser chamado de ESCAMBO POPULAR LIVRE DE RUA.

Nessa brincadeira constante o ESCAMBO que se organiza de forma não formal, sem diretoria, sem conselho fiscal, sem CNPJ, sem lenço e sem documentos, devido a força dos grupos articuladores (até agora ninguém sabe como viraram GRUPOS ARTICULADORES) se mantem na luta partindo agora em novembro de 2008 na cidade-mãe Janduís para a realização do XXIV Escambo (momento de encontro para troca de experiência, espetáculos e vida) dessa vez em parceria apenas com a Prefeitura desse Município, realiza durante todo ano escambos entre os grupos por região, bairros e/ou assentamentos; rodas de conversa com os grupos articuladores; circulação de espetáculos; montagens envolvendo grupos distintos - programação definida nas RODAS DOS ESCAMBOS - somente a partir de 2005 passou a contar com recursos oriundos do Poder Público, mais especificamente de editais lançados pelo BNB e apoio da Petrobrás. Os demais parceiros do Escambo estão no campo do Movimento Popular, destacando-se principalmente os grupos e artistas os que estão inseridos e comprometidos com o Movimento.

De 1991 a 2008, o Movimento Popular Escambo Livre de Rua já realizou e está presente no Rio Grande do Norte nas cidades de Natal, Santa Cruz, Caicó, Currais Novos, Sitio Novo, São Paulo do Potengi, Arês, Parnamirim, São Tomé, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Mossoró, Umarizal, Lucrecia, Martins, São Miguel, Governador Dix Sept Rosado, Apodi, Felipe Guerra e Janduís.

No Ceará em Icapuí, Aracati, Fortim, Jaguaribara, Pereiro, Quixadá, Itapiúna, Maranguape, Maracanaú, Icaraí, Itapipoca, Sobral, Canindé, Limoeiro e Fortaleza;

No Pará, Uruará - com a Fundação Tocaia;

No Maranhão - Açailândia, Imperatriz, São Raimundo

Rio de Janeiro - com o Amir Haddad do Grupo TáNaRua

São Paulo - Circo Além da Lona de Campinas

Pernambuco - Movimento de Teatro Popular de Pernambuco com grupos de Recife, Jaboatão, Olinda - Ingazeira dos Afogados

Paraíba - catolé do Rocha

O que impulsiona o Movimento Escambo são os grupos e os artistas participantes. Estes se organizam em grupo, captam recursos e socializam com os demais.

Nossa principal caraterística é que somos uma maioria de artistas populares oriundos do oco do mundo, das perigosas periferias urbanas, das sofridas zonas rurais, dos isolados assentamentos.

A única coisa que não compreendemos é porque os governos com suas burocracias culturais não nos enxergam. Não chegam junto e ficam esperando que a gente formule projeto, convites que com ceeteza irão garantir as diárias. O frio projeto que escrevemos não consegue mostrar como somos na prática. Por isso fazemos um desafio: venha a um escambo. Comprove a veracidade de nossas palavras e viva em um movimento que aglutina mais de 500 artistas em 04 dias de encontro, gastando apenas com o básico: transporte, divulgação, pequena infraestrutura, alimento (do jeito que comemos em casa) tendo como local de hospedagem as Escolas públicas que ficam abertas 24 horas e como local de espetáculos as ruas, as praças, os sítios, assentamentos e as periferias. Tudo isso feito apenas com 30.900,00 (trinta mil e novecentos reais) muitas vezes o preço de um almoço executivo de uma reunião do MINC ou de outro órgão público de cultura.

Conheça mais sobre o ESCAMBO. Pesquise na NET que irá encontrar. Não faça como um CERTO jornalista contratado pela Fundação José Augusto - parceira do último Escambo - que na revista oficial da AFUNDAÇÃO escreveu que o Escambo era um grupo que estava surgindo em Umarizal. Um absurdo? ou uma sacanagem? sei lá. Só sei que é falta compromisso com a verdade e descaso com a história. Bastava uma pesquisa, uma consulta, uma.... quantos profissionais desse naipe as universidades estão formando? é uma pena!

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