quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O ESCAMBO EM CORDEL





Outro dia assisti
Um programa interessante
Fui conhecer o escambo
Que coisa mais importante
Peguei caneta e papel
Pra descrever em cordel
Esse encontro ao marcante

Observei direitinho
Com olhar de jornalista
O povo fazendo arte
Pois todo mundo é artista
A música tem melodia
A vida vira poesia
Na mente do cordelista

O ESCAMBO é um costume
De muitos tem atrás
Não existia o dinheiro
Como hoje a gente faz
Pra comprar mercadoria
Vai lá mercearia
E de tudo a gente trás

Trocavam coisas por outras
Conforme as necessidades
Não se falava em lucros
Mas se fazia amizade
Por isso agora lê conto
Foi no lugar desse encontro
Que começaram as cidades
Artista tem cada uma
Que surpreende a gente
O ESCAMBO agora é
Algo muito diferente
É troca – troca de arte
Vem gente de toda parte
Pra beber nessa vertente

O movimento surgiu
No Rio Grande do Norte
Na cidade de Janduís
De um povo valente e forte
Que em busca de saída
Trocaram arte por vida
Onde imperava a morte

Já fazem dezoito anos
Que o primeiro aconteceu
Para o vigésimo terceiro
Convidou-me um amigo meu
Não fui lá para trocar
Fui só para observar
Quem veio trocado fui eu

Vi tanta coisa bonita
Unida num só lugar
Arte circense, teatro
Gente animada a dançar
Tocadores, ritmistas
Poetas e cordelistas
Seus versos a declamar
Eu agora vou falar
Como foi a nossa chegada
Havia um grupo esperando
Ainda de madrugada
Para nos recepcionar
E também pra nos mostrar
O caminho da pousada

Na Escola 11 de agosto
Tudo estava preparado
Cada grupo numa sala
Com o seu nome gravado
Foi só subir na parede
Botar corda, armar rede
E esperar o sol deitado

Em frente daquela escola
Ergue-se um monumento
Um bonito gavião
Com as asas para o vento
Uma mala e uma viola
Para ficar na história
A memória desse evento

A Companhia Arte e Riso
Fez tudo com muito gosto
Com Joelson e Jardel
Serginho sempre disposto
Pra servir aos convidados
Corriam pra todo lado
Do amanhecer ao sol posto
Vamos falar sobre os grupos
Que estiveram por lá
Do Rio Grande do Norte
Pernambuco e Ceará
Parecendo uma família
São Paulo, Rio e Brasília
Do Maranhão e Pará

T’Arte do Bom Jardim
Soltando a Voz do Pici
Flor do Sol e Sol Nascente
De Redonda Icapuí
E o Carrapicho de Canindé
Foram aplaudidos de pé
Ao se apresentarem ali

Escuta de Fortaleza
Fala Sério e o Semearte
Grupo Nós de Teatro
Também fez a sua parte
No Largo de São José
Os pífanos de Itapajé
Foi o som do Pajearte

Grupo vivência Utopia
Com um pensar mais profundo
Banda Base e Cor do Reggae
Não perdi um só segundo
O teatro Garajal
Caretas, Pernas de Pau
E os Poetas do Mundo
Eu vi o grupo Brincarte
E Tropa Trupe de Natal
Ensinando a criançada
A andar de perna de pau
E só não rio quem não quis
Com o Balai de Janduís
E o Pimbolim de Umarizal

O Projeto Abelhar
Com o seu jeito charmoso
Veio de Felipe Guerra
Vestido muito pomposo
Mas também quero lembrar
O belo grupo Tear
De São Miguel do Gostoso

Não se pode esquecer
Das rodas de capoeira
Que se fizeram presentes
Na programação inteira
Trazendo pra gente ver
Angola e o Maculelê
Do grupo Ginga Faceira

“O CERVANTES do Brasil
Cuidava da produção
Organizava o Escambo
Com cuidado e atenção
Enquanto o Sertão Vivo
Mexia sempre ativo
Com as argilas na mão”
“De Recife o MTPP
Numa grande caravana
Ator, poeta, bailarina
Muita gente bacana
Do Rio, o Amir Haddad
Veio só pra ensinar
O teatro que ele ama”

O teatro de bonecos
Alegra o povão inteiro
A frente o grande mestre
Do folclore brasileiro
Veio de Icapuí
Pra se apresentar ali
Sr. Gilberto Calungueiro

Havia muitos pequenos
Moradores do lugar
Olhando admirados
Querendo participar
Isso renova a esperança
Que enquanto houver criança
A arte não morrerá

Pra tudo tinha vivência
Pra cortejo e percussão
Oficina de brinquedo
Trabalhos feitos a mão
Malabares, berimbau
Arame, argila e pau
E a arte do artesão
A oficina de cordel
Foi uma grande riqueza
Com gente de Umarizal
De Recife e Fortaleza
E pra arrochar o nó
Amendoim de Mossoró
Com sua grande firmeza

Eu vi também no escambo
Coisas sem muito capricho
Vi lixo virando arte
Comida virando lixo
E fiquei me perguntando
Como pode o ser humano
Se comportar feito bicho

As coisas desagradáveis
Não vale a pena falar
Toquei apenas em relance
Para você meditar
Mas não fique descontente
A onde vai muita gente
A bagunça levará

Em quatro dias de festa
Parecendo um carnaval
Os tambores do escambo
Acordava o pessoal
E o cortejo todo dia
Subia alto e descia
Nas ruas de Umarizal
Para a cidade foi festa
Para o povo alegria
Para o comércio foi lucro
Para o poeta poesia
Uma só coisa lamento
Para alguns esse momento
Apenas foi de orgia

Pena que foi pouco tempo
Pra se viver a cidade
Falar com os moradores
Criar laços de amizade
Apesar de muito esforço
Andanças e alvoroço
Não conheci a metade

Deu apenas pra ver
É uma cidade pequena
Com ruas arborizadas
Gente tranqüila e serena
Que gosta de conversar
E na hora de ajudar
Todo mundo entra em cena

Saudade fico sentindo
Do povo deste lugar
Sua hospitalidade
Para sempre vou lembrar
E aos artistas conclamo
Quisera que o próximo escambo
Fosse no meu Ceará
A vinte um de abril
Feriado nacional
Terminou o grande evento
Tudo voltou ao normal
Todo mundo foi saindo
Dentro do peito sentindo
Saudade de Umarizal

Se é do pólen da flor
Que a abelha faz o mel
Das cores da natureza
O pintor faz o painel
Como eu sou cordelista
Desse encontro de artistas
Escrevi o meu cordel

Autor
Antonio Edílson da Silva Oliveira – Edson –
Nasceu em Dom Maurício – Quixadá – CE
Toda a sua vida foi dedicada aos Movimentos Populares Eclesiais de Base da Região do Grande Bom Jardim em Fortaleza-CE. Foi fundador do GRUVAT – Grupo de Voluntários Amadores de Teatro que foi responsável pela apresentação da Paixão de Cristo na Granja Portugal/Lisboa por 20 anos.
É membro atuantes da CEB Granja Lisboa de Fortaleza-CE. Foi aluno do Curso de Cordel da Casa do Cantador de Fortaleza-CE e um grande incentivador do Grupo Nois de Teatro.
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